A parede era branca. Na foto ficou amarela. Você troca o modo, tenta o automático de novo, e ela continua com uma cor que você não viu na hora.
A câmera não errou, e não é falta de qualidade do sensor.
O que acontece é que o seu olho corrige cor sozinho e não avisa. Debaixo de uma lâmpada amarela, o cérebro continua enxergando papel branco como branco, porque ele conhece o papel. A câmera não conhece nada: ela registra a cor que de fato chegou ao sensor. O que você chama de erro é a medição honesta de uma luz que nunca foi neutra, e a luz quase nunca é neutra.
Abaixo estão os seis desvios de cor que mais aparecem, a causa de cada um e o ajuste que resolve. No fim, um teste de três dias que mapeia a luz da sua casa e a parte que ajuste nenhum corrige.
| Sintoma | Causa | Ajuste |
|---|---|---|
| Foto amarelada dentro de casa | Lâmpada quente, luz muito abaixo do neutro | Preset de tungstênio ou Kelvin baixo |
| Foto azulada na sombra | A sombra é iluminada pelo céu, que é azul | Preset sombra ou nublado |
| Cor muda entre fotos da mesma cena | O automático recalcula a cada disparo | Travar ou usar valor manual |
| Duas cores brigando na mesma foto | Luz mista, janela e lâmpada juntas | Escolher uma fonte e eliminar a outra |
| Pele esverdeada ou arroxeada | Espectro incompleto de LED barato | Controle de matiz, não o de temperatura |
| Corrigiu e a foto ficou sem graça | Neutro perfeito apaga a atmosfera | Corrigir e recuar um pouco |

1. A foto fica amarelada dentro de casa
O sintoma: tudo puxa para o laranja, principalmente à noite, com luz acesa.
Por que acontece: lâmpada comum emite luz muito mais quente que a do sol. A escala de temperatura de cor mede isso, e há uma inversão que confunde todo mundo: número baixo significa luz alaranjada, número alto significa luz azulada. É o contrário da intuição de quente e frio.
O ajuste: informe à câmera que tipo de luz existe ali. Use o preset de lâmpada incandescente, ou digite um valor baixo de Kelvin manualmente. A base física está no verbete sobre temperatura de cor.
Um detalhe que economiza tempo: ao ajustar o valor manualmente, subir o número esquenta a imagem, não esfria. Você está dizendo à câmera que a luz era mais azul do que ela pensou, e ela compensa jogando laranja.
2. A foto fica azulada na sombra
O sintoma: em dia de sol, quem está na sombra sai com pele acinzentada e roupa azulada.
Por que acontece: quem está na sombra não recebe luz do sol. Recebe luz do céu, e o céu é azul. A cena inteira ali é iluminada por uma fonte azul, e a câmera registra isso corretamente.
O ajuste: use o preset de sombra, que é o mais quente da lista, ou nublado, que é intermediário. Esse é o desvio mais comum em retrato externo e o mais fácil de resolver.
3. A cor muda entre uma foto e outra da mesma cena
O sintoma: cinco fotos seguidas do mesmo lugar, cada uma com um tom diferente. Na edição, vira trabalho de corrigir uma por uma.
Por que acontece: o automático recalcula a cada disparo, e a conta depende do que está no quadro. Uma pessoa de camisa vermelha entrando na cena muda o resultado do cálculo.
O ajuste: em qualquer sequência que vá ser vista junta, fixe o valor. Escolha uma temperatura manual e não mexa mais. A foto pode ficar levemente errada, e errada de forma igual, que é muito melhor do que certa de forma irregular.
Gravar em RAW mantém a margem de mudar isso depois sem perda, pelos motivos de RAW na prática, e a correção posterior tem método próprio em corrigir cor na edição.
4. Duas cores brigando na mesma foto
O sintoma: metade do ambiente puxa amarelo, a outra metade puxa azul, e nenhum ajuste conserta as duas ao mesmo tempo.
Por que acontece: luz mista. Janela entregando luz de dia de um lado e lâmpada quente do outro. O balanço de branco é um ajuste único para a foto inteira, então ele corrige uma fonte e piora a outra por definição.
O ajuste: não é de câmera, é de cena.
- Apague as lâmpadas e trabalhe só com a janela, que é a saída mais simples.
- Feche a cortina e trabalhe só com a luz artificial.
- Aproxime o assunto da fonte dominante, para a outra virar detalhe.
- Ou assuma a mistura como escolha estética, o que funciona bem em cena noturna urbana.
Quando existe controle sobre a iluminação, a escolha entre as fontes está em flash ou luz contínua.

5. A pele fica esverdeada ou arroxeada
O sintoma: você acerta o amarelo e o azul, e a pele continua estranha, com um tom doentio.
Por que acontece: temperatura de cor resolve apenas o eixo entre laranja e azul. Existe um segundo eixo, entre verde e magenta, e é nele que lâmpada fluorescente e LED de baixa qualidade desviam. A luz desses modelos tem buracos no espectro, e nenhum ajuste de Kelvin alcança isso.
O ajuste: use o controle de matiz, chamado de tint em alguns programas. É o segundo controle, quase sempre ao lado do de temperatura, e quase ninguém abre. Pouco magenta resolve o verde de fluorescente na maioria dos casos.
6. Você corrigiu e a foto ficou sem graça
O sintoma: a cor está tecnicamente correta e a imagem perdeu o clima que te fez fotografar aquilo.
Por que acontece: neutro absoluto não é o objetivo. Pôr do sol é laranja de verdade, vela é quente de verdade, e neutralizar isso apaga a razão de existir da foto.
O ajuste: corrija até o neutro para saber onde ele fica, e depois volte parcialmente na direção da cor original. O neutro é referência, não destino. O uso deliberado da cor como linguagem está em color grading.
O teste de três dias: mapeie a luz de onde você vive
A maior parte das suas fotos acontece em cinco ou seis lugares. Conhecer a luz desses lugares vale mais que decorar tabela de Kelvin, e leva três dias.
- Pegue uma folha de papel branco comum e leve com você pela casa.
- Em cada cômodo, fotografe a folha preenchendo boa parte do quadro, com o balanço de branco no automático.
- Repita em três horários: manhã, meio da tarde e noite com a luz acesa.
- Abra tudo no computador e observe para onde cada foto puxou.
- Anote por cômodo e por horário. A sala às nove da manhã tem um desvio, a mesma sala às oito da noite tem outro, e eles se repetem todo dia.
- Na próxima foto naquele lugar, já entre com o valor que você anotou.
Quem faz esse exercício descobre coisas úteis rápido, como o fato de que a cozinha costuma ter a pior luz da casa e o quarto costuma ter a melhor, por causa da janela. O treino de observação continua em treinar a percepção de luz.
Quando o problema não é o balanço de branco
Três situações em que mexer no ajuste não resolve, e insistir só piora.
| Situação | Por que o ajuste não resolve |
|---|---|
| Tela do computador descalibrada | Você está corrigindo o que a tela inventa |
| Lâmpada de espectro ruim | Falta cor na luz, não há o que reequilibrar |
| Luz mista sem controle da cena | O ajuste é global, o problema é local |
| Foto exportada em espaço de cor errado | A cor muda ao abrir em outro programa |
| Desvio pequeno e você não enxerga | Use o número, não o olho |
A segunda linha merece um parágrafo próprio porque tem solução barata e ninguém pensa nela. Lâmpada de baixa qualidade emite um espectro com falhas, e cor que não existe na luz não pode ser recuperada em ajuste nenhum. Trocar a lâmpada do cômodo onde você mais fotografa resolve mais que qualquer técnica deste artigo. Procure modelos com índice de reprodução de cor alto, informação que vem na embalagem.
A última linha também merece atenção, e ela costuma ser tratada como falta de talento quando não é. Dificuldade persistente em perceber desvio de cor é mais comum do que parece, especialmente entre homens, e não tem relação com prática. Se corrigir cor é sistematicamente difícil para você, trabalhe pelos números, usando o conta-gotas sobre algo que você sabe ser neutro e conferindo os valores, em vez de confiar no olho. E vale procurar avaliação oftalmológica, porque saber disso muda o seu fluxo de trabalho inteiro, para melhor.
Sobre o espaço de cor da exportação, que é a quarta linha, o critério está em sRGB ou Adobe RGB.
Perguntas frequentes sobre balanço de branco
Por que subir o Kelvin deixa a foto mais quente, se número alto é luz azul?
Porque você não está descrevendo a foto, está descrevendo a luz da cena. Ao subir o valor, você informa que a luz era azulada, e a câmera compensa adicionando laranja. O número descreve a fonte, o resultado é o oposto dele.
Posso deixar sempre no automático?
Para foto avulsa, sim, e ele acerta bastante hoje. Para sequência que vai ser vista junta, não, porque a variação entre disparos gera retrabalho enorme na edição. Sequência pede valor fixo.
Se eu fotografo em RAW, preciso me preocupar com isso na hora?
Menos, porque o valor pode ser mudado depois sem perda. Ainda assim vale acertar na captura, por dois motivos: você julga a foto na tela com a cor certa e economiza tempo de edição em cada arquivo.
Preciso comprar um cartão cinza?
Não para começar. Uma folha de papel branco comum já resolve a maior parte dos casos como referência. O cartão cinza é mais preciso e vira útil quando você trabalha com produto, reprodução de obra ou qualquer situação em que a cor precisa ser fiel de verdade.
O balanço de branco importa em foto preto e branco?
Importa mais do que parece, se você gravar em RAW. O valor de temperatura muda a luminosidade relativa de cada cor antes da conversão, então ele altera a separação entre os tons de cinza, como explicado em fotografia preto e branco.
